
Cada vez estou mais convencida de que os primeiros dez anos de vida nos marcam para sempre. O que se come, como se dorme, onde se vive, quem nos dá o primeiro presente, a primeira vez que vamos ao cinema ou atravessamos a rua sozinhos, o medo de errar a tabuada, a confusão entre os acentos graves e agudos, a paixão pelos circunflexos, o fascínio pelas aspas e a tentação de pôr reticências no final das frases. Depois vêm os primeiros carnavais vestida de saloia, depois de capuchinho vermelho e depois de dama antiga. Nos primeiros dez anos de vida vive-se tudo. Tanto o que se quer guardar mais tarde e o que se quer esquecer para sempre. E depois leva-se o resto de uma vida inteira a tentar esquecer o que já não temos e o que nunca vamos querer. E cada dia só é melhor se sentirmos que demos um passo em frente. A sensação de não ir, de não estar, de não avançar, de não regressar, angustia-nos. Deste modo, temos que avançar, escolher, partir, desistir, sonhar, temos que sentir que perdemos para depois podermos voltar a ganhar. E vamos sempre à procura do que já fomos, nas gavetas fechadas, nas fotografias já sem cor, nas vozes já esquecidas. A poucos minutos de dizer adeus aos meus 25 anos. sinto-me bem. Feliz. Com a certeza de que os vivi intensamente!


1 comentário:
Primeiro quero deixar-te um grande beijinho de parabéns. Desejo que sejas mt feliz e que seja um ano excepcional para ti.
Depois, quero dizer que francamente o teu texto tá magnifico! Sabes...aquele texto que lês e que te comove e sentes que te identificas com ele? Este é sem dúvida um deles.
Muitos parabéns por tudo aquilo que es e continua a viver intensamente
Da tua amiga,
Fá :)
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